Gian e Giovani Gravam Seu CD ao Vivo.
Reprodução de matéria da Revista Áudio Música e Tecnologia de 01/99
 
"Gian & Giovani", uma das cinco maiores duplas sertanejas do país, gravou o seu primeiro CD ao vivo em comemoração aos dez anos de carreira. Simultaneamente foi gravado um home vídeo com os seus maiores sucessos.
Esta gravação realizou-se nos dias 30 de outubro e 1° de novembro de 1998 em Franca, interior de São Paulo. Marcos Ski (monitor) e Flávio A. Decaroli Sani (P.A.), técnicos da dupla e responsáveis pelo som do show, contam com exclusividade aos leitores da Áudio ,Música e Tecnologia. todos os detalhes e dicas para uma gravação ao vivo.
        Marcos Ski e Flavio Decaroli
No início de outubro fomos consultados sobre a viabilidade da gravação de um CD ao vivo. A princípio, fizemos um levantamento de custos e principalmente um estudo para atingir a qualidade técnica que atendesse às necessidades da gravadora BMG Brasil. Como o show seria gravado também em home video, deveríamos nos programar não só para atender a sonorização do local, mas ambas as gravações simultaneamente.
Uma das características da qual muito nos orgulhamos é a confiança total que a dupla Gian e Giovani deposita já há algum tempo em seus técnicos, o que facilita bastante o nosso trabalho.Conseguimos desta forma uma autonomia para escolha do material, empresas e pessoal técnico qualificado para a produção do evento.
Em nossos trabalhos existe uma integração total entre as equipes de som, luz e cenário.
As empresas contratadas, sempre que possível devem se enquadrar nesses itens a fim de aliar-se à harmonia já existente dentro das equipes.
O local escolhido para a gravação foi o Parque de Exposições Fernando Costa em Franca, cidade natal da dupla, aonde segundo eles, se sentiriam mais a vontade para realizar um show desse porte.
O som foi da Gabisom, empresa que conhecemos pela sua qualidade a vários anos e que atendeu plenamente às nossas necessidades. A responsabilidade da gravação ficou aos cuidados de Roberto Marques na unidade móvel da A.R.P.
O nosso sistema de trabalho tem como característica principal o fato de que trabalhamos sempre em conjunto. Os dois técnicos avaliam a montagem do palco, disposição do equipamento e posicionamento de P.A., side fill, monitores, microfones e amplificadores.
Somos detalhistas neste aspecto e também nos ajustes diversos, tais como: programação da mesa de som e dos efeitos, análise dos sistemas de monitor e P.A., conferimos se as fases estão corretas, avaliamos se há necessidade dos inserts serem usados ou não(noise gates, compressores, etc.), e finalmente, equalização e mixagem.
Este trabalho em equipe possibilita obter excelentes resultados durante o show, além de tornar a passagem de som mais rápida.
Tratando-se de uma gravação tivemos ainda a preocupação com alguns itens específicos, como por exemplo:
- A disposição da banda no palco.
Os músicos ficaram posicionados de forma que o som de cada instrumento resultou em um mínimo de vazamento nos demais microfones abertos. Não só conseguimos uma gravação mais limpa, como melhoramos a comunicação visual da banda.
- Escolha de microfones específicos para cada instrumento, tendo um cuidado especial com os acústicos.
Começamos o nosso trabalho pela base. O baterista possui um instrumento especial para gravações, uma Yamaha Recording Maple Custom, modelo comemorativo de aniversário da Yamaha, ou seja, uma bateria top de linha. Usamos para captação do bumbo um Sm 91a e um Beta 52, ambos da Shure; na caixa um AKG c-418 e um Shure Sm-57 beta direcionado para a esteira. Usamos 2 microfones em cada uma destas peças como uma opção a mais para a gravação. Nos tons e surdos, AKG c-418.
No over da bateria foi usado um par de AKG C-3000. Temos preferência por esse modelo de microfone para captar o som completo da bateria e não apenas para captar os pratos(uma dica). É um pequeno truque para conseguir um som mais acústico e harmônico, captando o instrumento como um todo. Não houve necessidade da utilização de inserts.
Na percussão, um set AKG c-418 e dois Shure Sm 81, o mesmo processo de over utilizado na bateria.
- Nas guitarras, amplificadores Mesa Boogie e Fender The Twin e para captação microfones Electro-Voice RE-38.
- Contra baixo, Teclados, samplers e violões ligados em linha via Direct box todos ativos.
- Para o trombone, um Electro-Voice RE 20, no trumpete um AKG c3000, para a flauta um Sm-58 beta e no Sax dois microfones, um Shure Sm 98 e um AKG c-3000, como opção de gravação.
- Para os backing vocals, Shure Sm-87. E para Gian e Giovani, dois Wirelles Shure u2 UHF com cápsulas Sm 87.
Projetamos para este show um sistema de In ear phone que atendesse a 16 pessoas. Optamos pelo Personal Monitor System pms 600 Shure pela sua flexibilidade de combinações. Assim sendo, com 6 vias em estéreo atendemos a todos os músicos e cantores, usando apenas para os backing vocals um sistema C-Max com fio.
O side Eaw, sistema fly, estava colocado como apoio e referência para o ballet.
Nosso sistema foi aplicado da seguinte forma:
-Gian & Giovani (1 transmissor para 2 receptores)
-Teclados, guitarras e contra-baixo (1 transmissor para 5 receptores)
-Trombone, trumpete, flauta e sax (1 transmissor para 3 receptores)
-Bateria e percussão (modelo P6HWI Hardwired System) com fio.
Obs.: Para implantarmos este sistema elaboramos um projeto e uma pesquisa de um equipamento que atendesse às nossas necessidades. Por se tratar de um sistema sem fio, ainda que em UHF, está sujeito a sofrer interferências. O local do show seria o seu maior teste, pois o palco estava bem à frente de várias antenas de Rádio e TV.
No caso dos microfones UHF foi fácil: bastou reprogramar as freqüências para solucionar o problema. Quanto aos In Ear phones, posicionamos as antenas em diferentes locais do palco até encontrarmos o local adequado.(+ uma dica)
Todo o sistema de som estava sendo alimentado por um gerador elétrico de 120 KVA.
Para sonorizar uma platéia de 50 mil pessoas projetamos a princípio um fly P.A., mas devido às péssimas condições do tempo no dia 30 de outubro, tivemos que substituí-lo por uma montagem convencional.
O P.A. foi montado alguns metros à frente da boca do palco, evitando uma concentração da massa sonora nesse local. Usamos torres de delay para melhorar a distribuição. Assim, a mixagem do P.A. não interferiu na gravação e atendeu a todo o público.(outra dica)
A gravação foi realizada em 32 canais digitais, sendo que em um deles gravamos o sinal de sinc smpte para os teclados, que serão acrescentados ou até mesmo refeitos diretamente durante a mixagem final (+ outra dica). Em outro canal, o metrônomo como opção para regravar algum instrumento ou vocal.
O evento teve a transmissão direta para o Domingão do Faustão (Rede Globo), que atingiu 32 pontos de audiência.
 
Equipe Técnica "Gian & Giovani"
P.A.
Flávio Decaroli
Monitor
Marcos Ski
Roadies
Claudio Camilo / Noede Araujo (Nono) / Flávio A. Santos (Flavião)
 
Equipe Técnica "Gabisom"
P.A.
Maurício Pinto
Monitor
Dinilson(China)
Auxiliares técnicos
Cardoso Filho / Ishicava / Marcelo da Rosa /
Roberto Aguiar / Douglas Santos
 
Marcos A. Nass "Ski" 38 anos, dos quais 22 na área de Áudio,
Autodidata, atuou em várias empresas de som de São Paulo entre elas Transasom, Gabisom e na Fundação Nacional de Arte Funarte (Ministério da Cultura). Acompanhou vários artistas (Raul Seixas, Sá e Guarabira, Maurício Mattar, Christian e Ralf) atualmente com Gian e Giovani.
Mantém uma página na internet com informações sobre som profissional.
www.paginadosom.com.br\ski
E-mail marcosski@pobox.com
 
Flávio A. Decaroli Sani (Nenê), 38 anos, dos quais 23 na área de Áudio
Trabalhou no setor de Acústica do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo)
Ministrou no 1º curso intensivo para técnico de som (área de show), na empresa Transasom
Projetos, fabricação e manutenção de amplificadores de potência, para empresas como a Transasom e a Gabisom. (Modelos: Black Phase, White Phase, Studium, entre outros equipamentos)
Projetos de vários estúdios de gravação e radiodifusão.
Proprietário e responsável técnico do STUDIO MEGA em São Paulo.
Produziu os CDs Subterrâneo e Estilhaços (Inocentes), Haverá Futuro (Olho Seco), O Amanhã (Cidadão)
Acompanhou vários artistas como operador de som (Zeca Baleiro, Walter Franco, Rita Ribeiro, Dinho Ouro Preto, Roberta Miranda, entre outros)
E-mail studio@paginadosom.com.br
 
 

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